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Educação pela Conservação: oficinas técnicas para o público escolar

DATA    1º quadrimestre
2022

Por vezes, as propostas educacionais assumem papel secundário quando abordadas dentro do contexto da conservação, uma vez que as equipes técnicas ocupam-se, na maior parte do tempo, do tratamento das coleções e das informações obtidas a partir do processamento e estudo do acervo. No entanto, a educação pode ser vista como essencial para o trabalho de natureza técnica, pois contribui diretamente para o crescimento profissional e humano dos componentes da equipe, não só do ponto de vista da capacitação em si, mas também, e principalmente, pelo preparo de atividades que gerarão resultados no ambiente externo, a médio e longo prazo.

No Programa de Gestão de Acervos do Museu Casa de Portinari, pode-se enxergar a educação inserida no objeto específico do referido programa:

“Articular ações, para constituir e/ou fortalecer o Centro de Pesquisa e Referência do museu, ampliando as possibilidades de produção e difusão de conhecimento ao público sobre as temáticas do acervo” (MUSEU CASA DE PORTINARI, 2021, p. 35).

Entende-se como “difusão de conhecimento ao público sobre as temáticas do acervo”, a capacidade de propagar qualquer informação processada, pesquisada e validada sobre a coleção institucional. E essa difusão demanda precisão, uma vez que determinados públicos, eventualmente, jamais serão atingidos senão em dada oportunidade específica. A questão nesse ponto é que a educação transcende a pesquisa, apesar de depender desta; isto é, não basta que as equipes técnicas pesquisem, publiquem e registrem um conhecimento adquirido, mas é necessário democratizá-lo, criar estratégias para oferecer diferentes formas de acesso ao mesmo. Nesse ponto, o papel do meio de democratização do conhecimento pode, e talvez de fato seja, tão ou mais importante do que a finalidade da difusão do conhecimento.

Desse modo, o Museu Casa de Portinari, em uma parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Brodowski (SP), em consonância com sua estratégia contínua de educar seu público, ofereceu duas oficinas técnicas para alunos do ensino médio da Escola Estadual “Cel. José Aleixo da Silva Passos”, de Brodowski (SP). As ações casam-se com a missão da instituição de “ser um pólo de fomento à fruição e expressão artística” e com um de seus valores essenciais de “ter responsabilidade com o desenvolvimento humano” (MUSEU CASA DE PORTINARI, 2020, p. 12). Também legitimam o importante papel social desenvolvido pelo museu junto à sua comunidade, oferecendo aos jovens uma possibilidade de vislumbre de atuação profissional.

A oficina “Seja documentalista” foi planejada nessa perspectiva, uma vez que oferecia aos adolescentes uma possibilidade de entender o papel de um documentalista institucional, reforçando a importância de documentar o trabalho com as coleções museológicas. Conceitos como ficha catalográfica, inventário, banco de dados e tesauros foram trabalhados com o grupo de vinte alunos que manifestaram interesse prévio em participar da atividade. Com uma abordagem atualizada, a equipe técnica ministrou a atividade em sala reservada na própria escola e, após a explanação e discussão dos conteúdos, ofereceu a cada aluno a oportunidade de, na prática, documentar um objeto museológico: foi dado a cada participante da oficina um objeto aleatório preparado previamente com uma ficha catalográfica, lápis, borracha e régua para inserção dos dados. O exercício de catalogação foi feito em conjunto e seguiu os parâmetros que o museu aplica em sua coleção.

Por sua vez, a oficina “Passando a Limpo” proporcionou aos mesmos vinte participantes da atividade anterior uma experiência para atuar com a higienização de jornais e documentos. A princípio, a equipe técnica discorreu sobre a importância da conservação preventiva e da manutenção periódica dos objetos da coleção, abordando conceitos tais como nocividade da interação humana com os objetos museológicos, desgastes por ações do tempo, clima e da luz, dentre outros. Em seguida, cada participante recebeu um kit com equipamentos de proteção individual, além de pincéis para higienizar páginas de jornais preparadas especificamente para esta atividade: algumas rasgadas propositadamente, amassadas e com grampos. Os alunos deveriam proceder com as práticas de higienização ensinadas, atuando, quando possível, para a melhor conservação de cada jornal, retirando-se dobras, vincos e grampos. Uma ficha de conservação também foi dada a cada participante e o preenchimento foi feito de forma coletiva.

A experiência foi diferente das atividades que o setor normalmente desenvolve por oferecer não só aos alunos um novo olhar para o museu e sua equipe, como também para a própria equipe que se preparou para ministrar não a outros técnicos, pesquisadores e públicos que já nutrem algum interesse pela coleção, mas, dessa vez, voltada a estudantes que estão às portas do mercado de trabalho e que precisam tomar decisões de escolha de carreiras para seguirem os estudos. Estudantes e técnicos certamente foram beneficiados pela ação que continuará sendo desenvolvida pela equipe do museu, ciente da importância da capacitação dos diversos públicos que, mais do que oferecer retornos imediatos, podem ser sementes sendo plantadas para o futuro.

REFERÊNCIAS

MUSEU CASA DE PORTINARI. Plano Museológico. ACAM Portinari: Brodowski, 2020. Disponível em: <https://www.acamportinari.org/wp-content/uploads/MCP_plano_museologico_2018_rev_2020_2021-Completo.pdf>

MUSEU CASA DE PORTINARI. Programa de Gestão de Acervos. In: Contrato de Gestão nº 04/2021. ACAM Portinari: Brodowski, 2021. Disponível em: <https://www.acamportinari.org/wp-content/uploads/1.-Contrato-de-Gestao_04_2021_e_Anexos_I_a_V.pdf> Acesso em: 21 set. 2021.

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